sexta-feira, 31 de julho de 2009

Jornalista de alma e não de diploma.

Muitos amigos meus têm me perguntado o que eu acho sobre a decisão do Supremo sobre a inconstitucionalidade da exigência de diploma para o exercício do jornalismo.
Pensei, refleti e respondi algumas mensagens, mas sinceramente não acredito mais em papéis... sejam eles de celulose ou os que representamos nessa vida.
Mas vai lá...

"Pois é, os tempos são outros e eu tb.

Me vejo defendendo, de forma inflamada, há alguns anos, a necessidade de diploma para exercício da profissão, mas hj, depois de ter visto, vivido e, principalmente, entendido alguns processos, percebo que pouco, ou quase nada, adianta defender rótulos, certificados ou títulos.

Claro que isso abre uma porteira, mas há tempos esses portais já estavam abertos. Talvez agora essa brecha tenha sido institucionalizada e trazida à luz do debate, mas quantos profissionais têm atuado no jornalismo sem ter o seu mtb?

Como jornalista não praticante eu posso afirmar que ter a faculdade pouco me serviu na hora de concorrer com os apadrinhados ou os famosos... Hoje qq ex-bbb apresenta programa de tv.

Acredito de verdade que existe lugar para todos e que o mundo caminha a passos largos para a real mudança comportamental, por isso, ficar imaginando que diplomas são garantias... puxa... isso não tem mais espaço.

A qualidade do texto, o profissionalismo, a ética e a paixão é o que constroe um jornalista e isso, realmente, não se aprende em 4 anos...

Se sou a favor? Tb não, apenas acredito que estamos presenciando um novo movimento, aquele que levará muitas outras área a se mexerem.

O mundo tá se mexendo... a forma como as coisas eram feitas não está mais servindo!

Os jornais impressos que antes lutavam entre si nas campanhas de comunicação, hoje investem no horário nobre para que os leitores continuem assinando seus periódicos...

Hoje, para uma jovem de 16 anos, jornal impresso é algo que o remete à lembrança de seus avós sentados na cadeira de balanço, lendo textos "so boring" e extensos que só servem mesmo para o pipi do Totó.

As pessoas hj vivem de manchetes, no máximo, do nariz de cera e olhe lá.

Em tempos de blogs, youtube e twitter, onde tudo o que acontece no mundo nos chega em tempo real... da Petrobras ao Irã, passando por Honduras e despedidas de ídolos, achar que o diploma o torna mais ou menos jornalista é uma grande ilusão.

Conhecimento gratuito, consciência coletiva, inclusão moral, biologia cultural e ciência do futuro é composta de jornalistas diplomados e articulistas sem diplomas, redatores e blogueiros, repórteres e twitters, engenheiros e pedreiros, médicos e curandeiros, biólogos e artistas, autônomos e empresários, esotéricos e religiosos, esportistas e sedentários, artistas e críticos, poetas e desesperançados.

Quando ouvíamos falar em globalização pensávamos no globo mesmo, na queda das fronteiras, na comunicação e no acesso ao conhecimento. Mas hoje já sabemos que o globo nunca foi tão plano e que a crise que afeta a bolsa de lá, reflete no bolso de cá, que a tequila bebida pelos Mexicanos dão ressaca no mundo todo.

Éramos ilhas, sentimos necessidade de nos unir. Encontramos outras ilhas e nos tornamos arquipélogos. Querendo dissiminar idéias e compartilhar ideais descobrimos istmos que nos levaram além. Estamos despertando, assimilando o rastro de nossa força de destruição em busca da evolução.

Mas assim somos, assim nos tornamos e com diplomas ou sem diplomas o jornalista que existe dentro de cada um, que nasce com a gente, quando nos pedem para contar o que aconteceu na escola, o que nos disseram no trabalho, o roteiro de um filme, a descrição de um local, o roteiro de uma viagem.

Desde sempre relatamos o que vemos, o que vivemos, o que sentimos... somos contadores de história e se há liberdade - liberdade esta tão desejada e almejada - que sejamos livres para entendermos que há lugar para todos e como sempre, desde que mundo é mundo, quem irá se manter é quem tiver competência, insistência e resistência.

Acho que é isso... hj é isso, vai lá saber amanhã."

Alessandra Yoshida, jornalista formada pela FIAM em 1997, é, faz tempo, hoje tentando ser uma blogueira, mas muito mais consciente do porquê de ter se tornado empresária e change management, o jornalismo é dedicação à escrita e a minha cabeça não esperava a próxima edição.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Encontros e Reencontros

É, faz tempo...
Eu sabia que ia ser assim.
Acabei me empolgando no dia do meu aniversário, mas de lá para cá tantas coisas mudaram.
São os encontros e reencontros da vida... e por aí vai!

ENCONTROS E REENCONTROS

Quando tudo parecia calmo.
Quando o corpo já havia se acostumado.
E quando a consciência repousava inerte.
A vida me chamou e eu fui.

E nesse momento.
Mais do que resistência.
Percebi que a vida me pedia.
Me pedia paciência.

Paciência comigo.
Paciência com o outro.
Paciência para que tudo.
Fizesse sentido.

Algumas pessoas fogem do outro.
Outros tantos se escondem de medo.
Mas eu não, busquei e encontrei.
Me achei e fui encontrada.

E nesse compasso.
Nesse caminho.
Tentando entender.
Com muito carinho.

Eu vou, você vem.
Eu dou, você também.
Eu falo, você escuta.
Eu mostro, você enxerga.

Tudo aquilo que tantos procuram.
Aqui, neste momento, tem a granel.
Diversidade, disparidade, tantas idades.
Tanto pedi que recebi.

Por tudo agradeço.
Assustei-me, mas já compreendi.
Acolhi e integrei, até sublimei.
Já relaxei e acolhi.

Pedir e receber são também uma escolha.
Mudar de opinião no meio do caminho uma opção.
Errar na escolha e continuar aceitando um meio.
Certo ou errado, uma intrigante questão.

Seu corpo mostra o que você sente.
Meus olhos vêem o que eu percebo.
Sua boca fala o que você pensa.
Meus ouvidos ouvem o que eu conheço.

Nessa abertura e exposição.
Segredos contados, medos externados.
Confiança, crença e doação.
Acolhida e respeito sempre à mão.

Sua diferença me completa o ser.
E eu desconfiada já quase não acreditava,
que o ser humano ainda podia ser assim.
Abismada, meio que atordoada me punha a pensar.

Esse encontro parece reencontro.
Com o que perdi pelo meu caminhar.
Fui e voltei, me revistei.
E olhando o outro eu me encontrei.

Hoje, bom, hoje eu posso dizer com certeza.
Você era parte, não era inteireza.
Novas palavras, nova dinâmica.
Resignifica...

E nessa ciranda, nessa dançinha.
Balanço-me e sorrio.
Igual criançinha.
Todos me embalam e me aninham.

Aqui é perfeito?
Não, tem defeito.
E o mais interessante é que nessa troca.
Por mais que me doa eu saio ganhando.

Eu tava tranqüila.
Eu tava de boa.
Mas se ouvi o chamado.
Algo faltava.

Faltava em mim.
Um pouco de tudo.
Um pouco do novo.
Um pouco do muito.

O novo olhar.
Do grupo infinito.
Daquele que dá.
Daquele que fica.

E hoje, ah, hoje eu percebo.
Que sem um eu sou menos.
Menos alegre, menos querida.
Menos inspirada, menos amiga.

Tanto trabalho para crescer.
E de repente eu me vejo mudando de idéia.
Achando que o outro tem mais a ver.
Quando ele fala e me faz refletir.

Nessa reconstrução vou me compondo.
Com o amor que é a semente.
Atenção vai regando.
Gerando respeito dentro da gente.

Em cada encontro um reencontro.
Deixo um pouco e levo outro tanto.
Choro, escuto, sorrio e amo.
Integro em mim o que me dão.

Tem gente que chega.
Um pouco mais perto.
Que eu sinto e percebo.
O canal aberto.

São partes do todo que está em mim.
Desse meu mundo.
Tem um monte de gente que já passou.
Eles agora estão em você.

Assim como você está em mim.
Por onde eu for você estará.
Prá sempre comigo...
Em corpo, alma, pensamento e oração.

Esse é o meu Universo
E eu sou dele também.
Nem rima, nem prosa,
Nem verso, nem sei.

Um pouco de mim segue contigo.
Cuida disso que eu te dei.
Levo comigo você e seu mundo.
Aqui dentro eu te guardarei.


(partes do texto dedicado ao Universo 10 - pós graduação em Jogos Cooperativos - 2009)

sábado, 4 de julho de 2009

Simples, mas complexo!

Quantas coisas deixamos de fazer por ficar pensando, pensando e só pensando?
Esse blog demorou tanto para nascer por isso: eu estava pensando!
É tão simples quando lemos os blogs dos outros. Tantas ideias e tantas novidades. Gente bem articulada, amigos que nos revelam tantas facetas que no dia-a-dia não vemos. É fácil.
Mas tão complexo. Vem o medo de se expor, tem o receio da crítica. Tem também um tiquinho de preguiça e os questionamentos tão comuns: vou ter tempo para atualizar? Do que vou falar amanhã? Será que vão ler?
O fácil pode mesmo ser complexo. Ouvi isso no fim de semana passado e fez tanto sentido. Tanta coisa tem feito sentido de uns tempos para cá.
Mas isso é assunto para outro post. Aha! já tenho assunto para o próximo!
E para esse, qual o assunto? O meu presente.
Sim, este blog é o meu presente de aniversário.
Hoje inicio o meu sexto setênio e resolvi deixar essa jornalista aflorar e até a poetisa, que vem há alguns meses querendo surgir... doidera. Conto isso depois tb.
Humm, já tô gostando dessa história. Acho que vou viciar.
Voltando ao fácil, ao complexo e ao aniversário, olha como tantas variáveis entram em nossas atitudes e acabam por determinar tantos rumos.
Queria reunir minha família e meus amigos para comemorar mais um ano de vida, a última festa que eu tive foi nos meus 30 anos... vixi. Fiquei a semana toda pensando: comemoro, ou não comemoro? Na terça até procurei uns bares, uns restaurantes, mas daí uma coisa juntou na outra e chegou a quarta.
Fiquei enrolando e daí dei uma desanimada, já era quinta. Ontem pensei, de forma definitiva: chamar as pessoas para uma comemoração na véspera não funciona, né?
Resumindo, não convidei ninguém, não farei nada e nesse dia que eu gosto tanto, ficarei aqui, me dando este presente e lembrando de todas as pessoas queridas que eu gostaria de ter ao meu lado.
Mas assim como o blog chegou, ano que vem eu celebro com uma grande festa e até lá posso ir comemorando, ao longo dos meses, com os amigos queridos, os antigos, os distantes e os novos que chegaram para ficar.
A questão aqui é simplificar.
Descomplicar.
É a atitude sem rodeios.
É deixar a palavra vir, a poesia inundar e agir.