terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Fragmentos de um dezembro - parte VI

Eu te reconheço
Eu te dou passagem
Eu sigo o meu caminho

Fragmentos de um dezembro - parte V

A volta do olhar
O sorriso que ilumina
O abraço que acolhe
A cabeça que imagina
As mãos que são pura magia
As ideias tão iguais
O corpo que me seduz
A boca que me descobre

sábado, 26 de dezembro de 2009

As chaves

Chegou em casa, colocou as chaves na mesa, ao lado do copo de café do dia anterior.
Sentou-se no sofá, lembrou da conta que vencia, olhou no relógio, já passavam das nove da noite.
Pagaria multa,
Mais uma.

Tinha sede.

Pegou o copo na mesa, derrubou as chaves no chão, teve preguiça de agachar-se para pegá-las, deixou-as repousando no chão.

Lavo o copo, o café no fundo não saia, teve que usar o sabão.
Detestava o cheiro do sabão nas mãos.
Lembrou-se das vezes que ela lhe pedia para ajuda com a louça.
Agora lembrando-se disso o cheiro nem lhe parecia tão ruim.

O que poderia ter feito?
Onde ela estaria?
Por que deixá-lo sem nem ao menos lhe dize o porquê?
Era só nisso que pensava.

Encontrou na geladeira a caixa de comida chinesa.
Olhou e lembrou do último jantar.
Pensou que poderiam ter saído, terem ido ao shopping ver vitrines ou apenas ido a padaria que ela tanto gostava.
Mas era dia de jogo, pedir comida em casa era mais fácil.

Pensou nos vários caminhos fáceis que optou e arrependeu-se, pois aquele estava sendo o mais difícil.

Pegou a água gelada colocou no copo e bebeu em apenas um ole.
Voltou para o sofá, ligou a TV.
A TV era a mesma, aquela que sugava seu interesse todas as noites.
Que falava e não cobrava que ele estivesse ouvindo.
A amiga que nas noites o hipnotizava.
A companheira que nada exigia.

E olhando para a TV se sentiu muito mal.
Quantas horas desperdiçadas absorto em seu mundo construído e inventado.
Quando o mundo real vibrava nos olhos dela e ele nem via.
Mais fixado estava olhando para a TV.

Desligou a TV e agradeceu não ser agressivo, pois se o fosse teria arremessado o controle na tela.
Levantou, abriu novamente a geladeira, olhou para o fogão e lembrou dela preparando o jantar, com seu sorriso de lado ecom aquelas covinhas que um dia tanto lhe chamaram a atenção.

O que teria acontecido?
Nenhum telefonema, nenhum recado na porta da geladeira, nem um torpedo.
Ela simplesmente fez as malas e fora embora.

Fechou a porta sem pegar nada, não tinha fome, nem sede.

Dois dias sem saber dela. Ela não atendia suas chamadas.
Decidiu que se ela o havia deixado, ele iria tocar a vida.
Mas que vida?
Só existia o pensar nela.

Foi ao banheiro.
Olhou-se no espelho, a barba por fazer há dois dias.
Era do jeito que ela gostava, dizia que arrepiava quando ele a beijava.

Decidiu olhando-se no espelho que daria mais um dia: 3 dias era um bom tempo.
Ela tinha que fazer algum contato.

Ainda restavam roupas no guarda-roupa.
Os livros estavam lá e ela voltaria, nem que fosse para pegar os livros.

A cabeça dele dava voltas. Decidiu tomar banho.
No box encontrou uma calcinha dela secando na torneira.
Justo a preta de rende que ele tanto gostava.
Sentiu saudade do corpo dela.
Do beijo e do sorriso de lado.

Deu um pequeno grito de desespero como que querendo parar os pensamentos.
Mas pensamentos não ouvem, eles apenas falam.

E em silêncio terminou seu banho.

Voltou para o sofá, só de toalha e lembrou que ela ficava brava quando ele sentava molhado no sofá, mas não falava nada, só balançava a cabeça.

Ele tentou ligar novamente, na esperança de ouvir a voz dela, de ter uma explicação, ao menos uma palavra que pudesse por fim à angustia do não saber, mesmo que fosse algo pior.
Mas o que poderia ser pior do que não saber o que se passava, o que poderia ser pior do que falar sozinho com seus próprios pensamentos, suas conjecturas, suas dúvidas e a maravilhosa imaginação destrutiva?

Haveria outro em sua vida?
Será que havia se apaixonado?
Será que diante de tanta rotina havia encontrado algo novo que a tivesse encantado e a levado para longe?
Será que acabara o amor?

Outro grito: Para! Chega de pensar.

Esse foi mais alto que o da hora do banho.
Ele começava a acreditar que ficaria louco.

O sinal da caixa de recados do celular apitou como fim da mensagem.
Ele só percebeu nesse momento que havia registrado um grito gutural no celular dela.
Mas não se preocupou, era o que estava sentindo.

Olhou no relógio, já passavam das duas da manhã.
A segunda-feira avançava e ele só pensava que teria que acordar cedo e voltar para sua rotina, mas que a melhor parte da sua rotina havia ido embora e ele nem sabia o porquê.

Foi para o quarto e atirou-se na cama, chorou.

Acordou atrasado e sentiu cheiro de café coado e de ovos.
Correu para a cozinha e foi recebido com o mais iluminado dos sorrisos de lado.
Antes que ele falasse qualquer coisa ela foi em sua direção e deu-lhe um beijo na boca como dava todas as manhãs.
Desculpou-se por não ter ido ao quarto chamá-lo, mas havia adormecido no sofá quando chegara.
O ônibus havia atrasado e ela não queria atrapalhar o sono dele, pois sabia que se ele acordasse não voltava a dormir.
Preferiu dormir no sofá.

Ele olhava para ela como que querendo entender, mas preferiu apenas abraçá-la, com medo de que fosse tudo um sonho.
Ela desejou-lhe um ótimo dia e foi para o banheiro tomar banho e preparar-se para ir para o trabalho.

Ele ainda parado, sem entender nada, tomou o café em um único gole e decidiu que quando voltasse a noite conversaria com ela, não queria chegar mais atrasado do que já estava.
Procurou as chaves na peça ao lado do sofá, nos bolsos da calça jeans que estava no dia anterior, na mesa da sala e quando já começava a ficar nervoso chutou o molho de chaves no chão, agachou-se para pegar e viu um bilhete.

Pegou -o nas mãos, pegou as chaves, saiu e enquanto esperava o elevador leu:

"Meu amor,
Vou para a casa da Cris em BH direto do trabalho passar o fim de semana. Ela me ligou desesperada, precisa enrolar 500 lembrancinhas para o casamento e precisava da ajuda da dama de honra/madrinha dela,
Como sei que você detestaria duas mulheres na sala te atrapalhando, sugeri ir para lá, até para facilitar as coisas.
Aproveita e chama os meninos para um pôquer.
Ah! meu celular parou de vez, vou deixar na assistência antes de ir para a rodoviária.
Se quiser me liga lá: 031 9539 8833.
Beijos e até domingo a noite.
Sua, sempre sua!"

O Pensamento

Só isso em minha cabeça
Só isso em meu coração
A grande certeza do caminho
A grande emoção do que virá

Eu mistureba
Você um menino
O nosso Poetinha
E o resto... o que virá...

Fragmentos de um dezembro - Parte IV

Saudade de vc....

     do seu gosto
     do seu gesto
     do seu rosto
     do seu sexo

Fecho os olhos....

     e te vejo
     e te espero
     e te quero
     e te tenho

Sinto o teu gosto....

     no meu corpo
     no meu gosto
     no meu rosto
     no meu sexo

Fragmentos de um dezembro - Parte III

E a saudade de seu olhar,
Que quando recordo está a me encarar,
Me descobrindo,
Me desvendando,
Me conquistando e desejando.

Fecho os olhos para lembrar,
Sorrio de lado,
Sem graça,
Imagino você tão perto que quase sinto, toco e possuo.

A saudade por um segundo dissipa..
E eu corro atrás dela,
Pois mesmo doendo ela me mantém perto.

Fragmentos de um dezembro - Parte II

---------- TRANQUILIDADE

Isso também passará

Tudo é apenas um momento

Aproveitar o agora

Nada é permanente

Tudo é passageiro

Tirar o melhor de cada momento

DESAPEGO -------------------------

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Fragmentos de um dezembro - Parte I

{ E aí aquele blog por muito tempo parado, vai começar a receber os escritos passados, achados largados, agora recuperados. }

Querer, poder, desejar
Esperar, sonhar e aceitar
Dispor, se impor e se recompor
Dividir, incluir e se permitir

Verbos assim dispostos
Escolhidos e não impostos
Caminhos a serem percorridos
Escolhas que eu fiz e vou seguir

Vai tudo nessa toada
Como se não fosse possível mudar
Coincidência, experiência, destino
Fascínio, essa pergunta vai ficar

Se tudo muda o tempo todo
E a impermanência é a única constante
De que valem os planos e projetos?
De que valem os sonhos e os desejos?

Ah! valem para nos levar além
Além do querer e do desejar
Levar-nos para os caminhos
Pelas estradas a trilhar

domingo, 8 de novembro de 2009

O Que Tinha de Ser


Vinicius de Morais

Porque foste na vida
A última esperança
Encontrar-te me fez criança
Porque já eras meu
Sem eu saber sequer
Porque és o meu homem
E eu tua mulher

Porque tu me chegaste
Sem me dizer que vinhas
E tuas mãos foram minhas com calma
Porque foste em minh'alma
Como um amanhecer
Porque foste o que tinha de ser

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Beijo do sol

Domingo... dia da preguiça... aquela gostosa que nos inunda o corpo e nos toma a alma.

Acordar e pensar o que fazer com um dia inteiro de ócio... que tal uma azeitona?

Sim, passear pelo Bosque El Olivar, em Lima - Peru pode ser uma boa pedida, algo simplesmente mágico.

O vento frio batendo no rosto ao mesmo tempo em que o calor sobe pelas pernas... sentar num banco e ficar apenas contemplando o verde... todos os tons... todas as nuances de um bosque, no meio de uma cidade, distante de casa, mas nunca tão próxima de mim mesma.

Caminhar sem cansar, caminhar sem pensar e aproveitar o momento, estando inteira e completa.

O dia estava perfeito, mas como felicidade é sempre uma soma e tudo sempre pode melhorar que tal almoçar com vista para o mar?

Sim, o Oceano Pacífico estava lá a minha frente, não dava para negar que a visão era estupenda e que tornava o momento mais mágico e mais perfeito.

A presença da criação e do criador era inegável, a sensação de plenitude e de pertencimento ao todo, de comunhão e de diversidade dentro da mesma célula viva... e o que era bom, só melhorou.

Havia um parque no meio do caminho, no meio do caminho havia um parque!

E não era um simples parque... era El Parque del Amor, e não há muitas construções dedicadas aos amantes...

Como descrever um parque dedicado ao amor enquanto vemos o mundo se dedicando à competição, a tirar vantagem, à guerra e ao poder?

Simples... amando!

Descrever o parque é como descrever o próprio amor... cheio de cores e sensações, onde andando sente-se o amor pulando dos mosaicos desenhados nos muros que cercam o ponto central: uma linda e enorme estátua chamada El Beso, majestosa ao centro do Parque, com dois amantes que se beijam...

Frases soltas presas aos mosaicos em muros em forma de ondas, frases de amor e de desabafo, o desabafo daqueles que amam em silêncio, a escrita dos que choram a perda do rumo, palavras esculpidas com amor e desejo.

Um lindo jardim convidava as pessoas a sentarem-se e relaxarem, pois sabiam que naquele lugar sagrado pelo amor e abençoado pelo casal que ardentemente se beijava havia segurança e acolhimento.

Nos muros que ouvem as confissões dos amantes escritas em ladrilhos casais se encostavam para o momento do beijo, para o contemplar do oceano e para o encontro dos corpos...

Meu corpo não era diferente e encostada nesse muro ondulado eu esperava o sol, que também inspirado pelo casal do Parque do Amor chegava para beijar o mar e se despedir...

Imaginei-me mar pronta para ser beijada pelo sol.

O momento do beijo de despedida é certo, mas nem por isso o sol deixa de brilhar e o mar deixa de quebrar...

E como tudo que é mágico traz em sua magia os elementos necessários para envolver e encantar, uma vendedora de caramelo veio adoçar um pouco mais os meus sentidos... “irradiar a felicidade... continuar feliz mesmo depois de casar... continuar feliz mesmo depois de ter filhos...” palavras soltas ao vento, presas no coração como muros de mosaicos, presas na emoção como caramelos nos dentes...

E o sol baixando devagar como um quente amante que sabe o momento de chegar foi encostando devagarzinho no mar e depois do beijo se foi deitar...

Mais que a preguiça do despertar, o torpor do entardecer comprovou que a felicidade existe sim e que pode morar num parque de oliveiras, pode morar numa estátua de barro, pode morar nas frases ladrilhadas dos amantes, mas mora mesmo dentro de cada um, dos olhos que vêem, dos ouvidos que escutam e do coração que sente.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Louca sanidade


Loucura, sanidade?
Louca sanidade.
Sadia doidera.
Doida normalidade.

A música que toca.
O corpo que dança.
Eu e você.
Um só  movimento.

Idéias malucas, soltas ao vento.
Que outros tão loucos ouvem e embarcam.
Aceitam e festejam e
Juntos se entregam

E você tão contente,
No aqui tão presente.
Me sente e me quer.
Afaga a mão, me faz tão mulher.

E eu percebendo, não estava vendo.
Apenas sentindo
Me permitindo
Tocada sentia e pressentia.

Algo de novo na porta batia.
E eu com coragem atenta ouvia
Senti e beijei e me deixei
Ser conduzida para além

Além de mim mesma
Dos medos e anseios
Curtindo o momento
Sem ao menos pensar

Loucura doidera
Entrega e desejo
Dois corpos em um
Sem pressa prá acabar

Um vida ou meia
Intensa e profunda
E agora eu já não
Vivo sem você!!!

Tanto li, um pouco vivi
Passei pela vida meio assim
Amores tão poucos
Que eu senti

Um dia do nada
Meio sem saber
Chega alguém
Me faz perceber

Que a vida é mais
Que ela desfaz
E se refaz
Que a vida me traz

Quem eu esperava
Também desejava
Já deslumbrava
Me surpreendi

Não sei se a leveza
Ou a inteligência
O toque de humor
Ou a paciência

O jeito de ouvir
De interagir
De refletir
De coexistir
  
Há tempos pensava
Que não encontraria
E quase, por pouco
Eu desistiria

O toque das mãos
Aquele roçar
Que do sono profundo
Me fez despertar

Para o novo
O inusitado
Aquele pedaço
Que eu me esqueci

Da mulher interessante
Uma delícia
Que vibra e pulsa
Com muita malícia

Eu não sei rimar
Não sei escrever
Poesias e versos
De mim e você

Vou aqui tentando
Com muito receio
Colocar o que sinto
Embaixo, em cima, no meio

E o que eu sinto
Me perpassa a alma
Me deixa tão boba
Mas não me acalma

Fui descobrindo
Que esse olhar
Do novo e do belo 
A me enredar

Podia ser mais
E muito mais
Uma grande viagem
Que me satisfaz

Eu me pergunto
O que faço agora?
Com tudo novo
Eu quero viver

Já fiz minhas escolhas
Que a vida me trouxe
Tem um caminho
Vou compreender

De gole em gole
Bebi os seus beijos
Criei o desejo
E o meu amor

Hoje eu tento
Me recompor
Viver novamente
Sem esse sabor

O coração bate
E tanto apanhou
Quer um descanso
Com o qual sonhou

Eu poderia
Continuar escrevendo
Do que sinto e vejo
Do que só percebo

Mas toda história
Merece um fim
E essa é bonita
Prá vc e prá mim

Que me trouxe pra fora
Para respirar
Me trouxe à tona
Pra eu enxergar

Que posso e mereço
Recomeçar
E ele pode
Comigo sonhar

O sentimento
Não é só de pele
Tem coerência
E muita beleza

Torna difícil
Fica na areia
Ou sempre nadando
Contra a correnteza

Muito vivi
E pouco eu sei
Mas o que sinto
Não posso negar

As história terminam
Mas valem a pena
Histórias são feitas
Para se relembrar

Encontros e Reencontros

{ adaptação de um poema que fiz para um sarau }

Quando tudo parecia calmo.
Quando o corpo já havia se acostumado.
E quando a consciência repousava inerte.
A vida me chamou e eu fui.

E nesse momento
Mais do que resistência
Percebi que a vida me pedia
Me pedia paciência.

Paciência comigo.
Paciência com o outro.
Paciência para que tudo
Fizesse sentido.

Algumas pessoas fogem do outro.
Outros tantos se escondem de medo.
Mas eu não, busquei e encontrei.
Me achei e fui encontrada.

E nesse compasso.
Nesse caminho.
Tentando entender.
Com muito carinho.

Eu vou, você vem.
Eu dou, você também.
Eu falo, você escuta.
Eu mostro, você enxerga.

Tudo aquilo que tantos procuram.
Aqui, neste momento, tem a granel.
Diversidade, disparidade, duas idades.
Tanto pedi que recebi.

Por tudo agradeço.
Assustei-me, mas já compreendi.
Acolhi e integrei, até sublimei.
Já relaxei e acolhi.

Pedir e receber são também uma escolha.
Mudar de opinião no meio do caminho uma opção.
Errar na escolha e continuar aceitando um meio.
Certo ou errado, uma intrigante questão.

Seu corpo mostra o que você sente.
Meus olhos vêem o que eu percebo.
Sua boca fala o que você pensa.
Meus ouvidos ouvem o que eu conheço.

Nessa abertura e exposição.
Segredos contados, medos externados.
Confiança, crença e doação.
Acolhida e respeito sempre à mão.

Sua diferença me completa o ser.
E eu desconfiada já quase não acreditava,
que o ser humano ainda podia ser assim.
Abismada, meio que atordoada me punha a pensar.

Esse encontro parece reencontro.
Com o que eu perdi pelo meu caminhar.
Fui e voltei, me revistei.
E olhando o outro eu me encontrei.

Hoje, bom, hoje eu posso dizer com certeza.
Você era parte, não era inteireza.
Novas palavras, nova dinâmica.
Ressignifica...

E nessa ciranda, nessa dançinha.
Balanço-me e sorrio.
Igual criancinha.
Todos me embalam e me aninham.

Aqui é perfeito?
Não, tem defeito.
E o mais interessante é que nessa troca.
Por mais que me doa eu saio ganhando.

Eu tava tranquila.
Eu tava de boa.
Mas se ouvi o chamado.
Algo faltava.

Faltava em mim.
Um pouco de tudo.
Um pouco do novo.
Um pouco do muito.

O novo olhar.
Do grupo infinito.
Daquele que dá.
Daquele que fica.

E hoje, ah, hoje eu percebo.
Que sem um eu sou menos.
Menos alegre, menos querida.
Menos inspirada, menos amiga.

Tanto trabalho para crescer.
E de repente eu me vejo mudando de ideia.
Achando que o outro tem mais a ver.
Quando ele fala e me faz refletir.

Nessa reconstrução vou me compondo.
Com o amor que é a semente.
Atenção vai regando.
Gerando respeito dentro da gente.

Em cada encontro um reencontro.
Deixo um pouco e levo outro tanto.
Choro, escuto, sorrio e amo.
Integro em mim o que me dão.

Tem gente que chega.
Um pouco mais perto.
Que eu sinto e percebo.
O canal aberto.

São partes do todo que está em mim.
Desse meu mundo.
Tem um monte de gente que já passou.
Eles agora estão em você.

Assim como você está em mim.
Por onde eu for você estará.
Prá sempre comigo...
Em corpo, alma, pensamento e oração.

Esse é o meu Universo
E eu sou dele também.
Nem rima, nem prosa,
Nem verso, nem sei.

Um pouco de mim segue contigo.
Cuida disso que eu te dei.
Levo comigo você e seu mundo.

Aqui dentro eu te guardarei.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Jornalista de alma e não de diploma.

Muitos amigos meus têm me perguntado o que eu acho sobre a decisão do Supremo sobre a inconstitucionalidade da exigência de diploma para o exercício do jornalismo.
Pensei, refleti e respondi algumas mensagens, mas sinceramente não acredito mais em papéis... sejam eles de celulose ou os que representamos nessa vida.
Mas vai lá...

"Pois é, os tempos são outros e eu tb.

Me vejo defendendo, de forma inflamada, há alguns anos, a necessidade de diploma para exercício da profissão, mas hj, depois de ter visto, vivido e, principalmente, entendido alguns processos, percebo que pouco, ou quase nada, adianta defender rótulos, certificados ou títulos.

Claro que isso abre uma porteira, mas há tempos esses portais já estavam abertos. Talvez agora essa brecha tenha sido institucionalizada e trazida à luz do debate, mas quantos profissionais têm atuado no jornalismo sem ter o seu mtb?

Como jornalista não praticante eu posso afirmar que ter a faculdade pouco me serviu na hora de concorrer com os apadrinhados ou os famosos... Hoje qq ex-bbb apresenta programa de tv.

Acredito de verdade que existe lugar para todos e que o mundo caminha a passos largos para a real mudança comportamental, por isso, ficar imaginando que diplomas são garantias... puxa... isso não tem mais espaço.

A qualidade do texto, o profissionalismo, a ética e a paixão é o que constroe um jornalista e isso, realmente, não se aprende em 4 anos...

Se sou a favor? Tb não, apenas acredito que estamos presenciando um novo movimento, aquele que levará muitas outras área a se mexerem.

O mundo tá se mexendo... a forma como as coisas eram feitas não está mais servindo!

Os jornais impressos que antes lutavam entre si nas campanhas de comunicação, hoje investem no horário nobre para que os leitores continuem assinando seus periódicos...

Hoje, para uma jovem de 16 anos, jornal impresso é algo que o remete à lembrança de seus avós sentados na cadeira de balanço, lendo textos "so boring" e extensos que só servem mesmo para o pipi do Totó.

As pessoas hj vivem de manchetes, no máximo, do nariz de cera e olhe lá.

Em tempos de blogs, youtube e twitter, onde tudo o que acontece no mundo nos chega em tempo real... da Petrobras ao Irã, passando por Honduras e despedidas de ídolos, achar que o diploma o torna mais ou menos jornalista é uma grande ilusão.

Conhecimento gratuito, consciência coletiva, inclusão moral, biologia cultural e ciência do futuro é composta de jornalistas diplomados e articulistas sem diplomas, redatores e blogueiros, repórteres e twitters, engenheiros e pedreiros, médicos e curandeiros, biólogos e artistas, autônomos e empresários, esotéricos e religiosos, esportistas e sedentários, artistas e críticos, poetas e desesperançados.

Quando ouvíamos falar em globalização pensávamos no globo mesmo, na queda das fronteiras, na comunicação e no acesso ao conhecimento. Mas hoje já sabemos que o globo nunca foi tão plano e que a crise que afeta a bolsa de lá, reflete no bolso de cá, que a tequila bebida pelos Mexicanos dão ressaca no mundo todo.

Éramos ilhas, sentimos necessidade de nos unir. Encontramos outras ilhas e nos tornamos arquipélogos. Querendo dissiminar idéias e compartilhar ideais descobrimos istmos que nos levaram além. Estamos despertando, assimilando o rastro de nossa força de destruição em busca da evolução.

Mas assim somos, assim nos tornamos e com diplomas ou sem diplomas o jornalista que existe dentro de cada um, que nasce com a gente, quando nos pedem para contar o que aconteceu na escola, o que nos disseram no trabalho, o roteiro de um filme, a descrição de um local, o roteiro de uma viagem.

Desde sempre relatamos o que vemos, o que vivemos, o que sentimos... somos contadores de história e se há liberdade - liberdade esta tão desejada e almejada - que sejamos livres para entendermos que há lugar para todos e como sempre, desde que mundo é mundo, quem irá se manter é quem tiver competência, insistência e resistência.

Acho que é isso... hj é isso, vai lá saber amanhã."

Alessandra Yoshida, jornalista formada pela FIAM em 1997, é, faz tempo, hoje tentando ser uma blogueira, mas muito mais consciente do porquê de ter se tornado empresária e change management, o jornalismo é dedicação à escrita e a minha cabeça não esperava a próxima edição.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Encontros e Reencontros

É, faz tempo...
Eu sabia que ia ser assim.
Acabei me empolgando no dia do meu aniversário, mas de lá para cá tantas coisas mudaram.
São os encontros e reencontros da vida... e por aí vai!

ENCONTROS E REENCONTROS

Quando tudo parecia calmo.
Quando o corpo já havia se acostumado.
E quando a consciência repousava inerte.
A vida me chamou e eu fui.

E nesse momento.
Mais do que resistência.
Percebi que a vida me pedia.
Me pedia paciência.

Paciência comigo.
Paciência com o outro.
Paciência para que tudo.
Fizesse sentido.

Algumas pessoas fogem do outro.
Outros tantos se escondem de medo.
Mas eu não, busquei e encontrei.
Me achei e fui encontrada.

E nesse compasso.
Nesse caminho.
Tentando entender.
Com muito carinho.

Eu vou, você vem.
Eu dou, você também.
Eu falo, você escuta.
Eu mostro, você enxerga.

Tudo aquilo que tantos procuram.
Aqui, neste momento, tem a granel.
Diversidade, disparidade, tantas idades.
Tanto pedi que recebi.

Por tudo agradeço.
Assustei-me, mas já compreendi.
Acolhi e integrei, até sublimei.
Já relaxei e acolhi.

Pedir e receber são também uma escolha.
Mudar de opinião no meio do caminho uma opção.
Errar na escolha e continuar aceitando um meio.
Certo ou errado, uma intrigante questão.

Seu corpo mostra o que você sente.
Meus olhos vêem o que eu percebo.
Sua boca fala o que você pensa.
Meus ouvidos ouvem o que eu conheço.

Nessa abertura e exposição.
Segredos contados, medos externados.
Confiança, crença e doação.
Acolhida e respeito sempre à mão.

Sua diferença me completa o ser.
E eu desconfiada já quase não acreditava,
que o ser humano ainda podia ser assim.
Abismada, meio que atordoada me punha a pensar.

Esse encontro parece reencontro.
Com o que perdi pelo meu caminhar.
Fui e voltei, me revistei.
E olhando o outro eu me encontrei.

Hoje, bom, hoje eu posso dizer com certeza.
Você era parte, não era inteireza.
Novas palavras, nova dinâmica.
Resignifica...

E nessa ciranda, nessa dançinha.
Balanço-me e sorrio.
Igual criançinha.
Todos me embalam e me aninham.

Aqui é perfeito?
Não, tem defeito.
E o mais interessante é que nessa troca.
Por mais que me doa eu saio ganhando.

Eu tava tranqüila.
Eu tava de boa.
Mas se ouvi o chamado.
Algo faltava.

Faltava em mim.
Um pouco de tudo.
Um pouco do novo.
Um pouco do muito.

O novo olhar.
Do grupo infinito.
Daquele que dá.
Daquele que fica.

E hoje, ah, hoje eu percebo.
Que sem um eu sou menos.
Menos alegre, menos querida.
Menos inspirada, menos amiga.

Tanto trabalho para crescer.
E de repente eu me vejo mudando de idéia.
Achando que o outro tem mais a ver.
Quando ele fala e me faz refletir.

Nessa reconstrução vou me compondo.
Com o amor que é a semente.
Atenção vai regando.
Gerando respeito dentro da gente.

Em cada encontro um reencontro.
Deixo um pouco e levo outro tanto.
Choro, escuto, sorrio e amo.
Integro em mim o que me dão.

Tem gente que chega.
Um pouco mais perto.
Que eu sinto e percebo.
O canal aberto.

São partes do todo que está em mim.
Desse meu mundo.
Tem um monte de gente que já passou.
Eles agora estão em você.

Assim como você está em mim.
Por onde eu for você estará.
Prá sempre comigo...
Em corpo, alma, pensamento e oração.

Esse é o meu Universo
E eu sou dele também.
Nem rima, nem prosa,
Nem verso, nem sei.

Um pouco de mim segue contigo.
Cuida disso que eu te dei.
Levo comigo você e seu mundo.
Aqui dentro eu te guardarei.


(partes do texto dedicado ao Universo 10 - pós graduação em Jogos Cooperativos - 2009)

sábado, 4 de julho de 2009

Simples, mas complexo!

Quantas coisas deixamos de fazer por ficar pensando, pensando e só pensando?
Esse blog demorou tanto para nascer por isso: eu estava pensando!
É tão simples quando lemos os blogs dos outros. Tantas ideias e tantas novidades. Gente bem articulada, amigos que nos revelam tantas facetas que no dia-a-dia não vemos. É fácil.
Mas tão complexo. Vem o medo de se expor, tem o receio da crítica. Tem também um tiquinho de preguiça e os questionamentos tão comuns: vou ter tempo para atualizar? Do que vou falar amanhã? Será que vão ler?
O fácil pode mesmo ser complexo. Ouvi isso no fim de semana passado e fez tanto sentido. Tanta coisa tem feito sentido de uns tempos para cá.
Mas isso é assunto para outro post. Aha! já tenho assunto para o próximo!
E para esse, qual o assunto? O meu presente.
Sim, este blog é o meu presente de aniversário.
Hoje inicio o meu sexto setênio e resolvi deixar essa jornalista aflorar e até a poetisa, que vem há alguns meses querendo surgir... doidera. Conto isso depois tb.
Humm, já tô gostando dessa história. Acho que vou viciar.
Voltando ao fácil, ao complexo e ao aniversário, olha como tantas variáveis entram em nossas atitudes e acabam por determinar tantos rumos.
Queria reunir minha família e meus amigos para comemorar mais um ano de vida, a última festa que eu tive foi nos meus 30 anos... vixi. Fiquei a semana toda pensando: comemoro, ou não comemoro? Na terça até procurei uns bares, uns restaurantes, mas daí uma coisa juntou na outra e chegou a quarta.
Fiquei enrolando e daí dei uma desanimada, já era quinta. Ontem pensei, de forma definitiva: chamar as pessoas para uma comemoração na véspera não funciona, né?
Resumindo, não convidei ninguém, não farei nada e nesse dia que eu gosto tanto, ficarei aqui, me dando este presente e lembrando de todas as pessoas queridas que eu gostaria de ter ao meu lado.
Mas assim como o blog chegou, ano que vem eu celebro com uma grande festa e até lá posso ir comemorando, ao longo dos meses, com os amigos queridos, os antigos, os distantes e os novos que chegaram para ficar.
A questão aqui é simplificar.
Descomplicar.
É a atitude sem rodeios.
É deixar a palavra vir, a poesia inundar e agir.