Muitos amigos meus têm me perguntado o que eu acho sobre a decisão do Supremo sobre a inconstitucionalidade da exigência de diploma para o exercício do jornalismo.
Pensei, refleti e respondi algumas mensagens, mas sinceramente não acredito mais em papéis... sejam eles de celulose ou os que representamos nessa vida.
Mas vai lá...
"Pois é, os tempos são outros e eu tb.
Me vejo defendendo, de forma inflamada, há alguns anos, a necessidade de diploma para exercício da profissão, mas hj, depois de ter visto, vivido e, principalmente, entendido alguns processos, percebo que pouco, ou quase nada, adianta defender rótulos, certificados ou títulos.
Claro que isso abre uma porteira, mas há tempos esses portais já estavam abertos. Talvez agora essa brecha tenha sido institucionalizada e trazida à luz do debate, mas quantos profissionais têm atuado no jornalismo sem ter o seu mtb?
Como jornalista não praticante eu posso afirmar que ter a faculdade pouco me serviu na hora de concorrer com os apadrinhados ou os famosos... Hoje qq ex-bbb apresenta programa de tv.
Acredito de verdade que existe lugar para todos e que o mundo caminha a passos largos para a real mudança comportamental, por isso, ficar imaginando que diplomas são garantias... puxa... isso não tem mais espaço.
A qualidade do texto, o profissionalismo, a ética e a paixão é o que constroe um jornalista e isso, realmente, não se aprende em 4 anos...
Se sou a favor? Tb não, apenas acredito que estamos presenciando um novo movimento, aquele que levará muitas outras área a se mexerem.
O mundo tá se mexendo... a forma como as coisas eram feitas não está mais servindo!
Os jornais impressos que antes lutavam entre si nas campanhas de comunicação, hoje investem no horário nobre para que os leitores continuem assinando seus periódicos...
Hoje, para uma jovem de 16 anos, jornal impresso é algo que o remete à lembrança de seus avós sentados na cadeira de balanço, lendo textos "so boring" e extensos que só servem mesmo para o pipi do Totó.
As pessoas hj vivem de manchetes, no máximo, do nariz de cera e olhe lá.
Em tempos de blogs, youtube e twitter, onde tudo o que acontece no mundo nos chega em tempo real... da Petrobras ao Irã, passando por Honduras e despedidas de ídolos, achar que o diploma o torna mais ou menos jornalista é uma grande ilusão.
Conhecimento gratuito, consciência coletiva, inclusão moral, biologia cultural e ciência do futuro é composta de jornalistas diplomados e articulistas sem diplomas, redatores e blogueiros, repórteres e twitters, engenheiros e pedreiros, médicos e curandeiros, biólogos e artistas, autônomos e empresários, esotéricos e religiosos, esportistas e sedentários, artistas e críticos, poetas e desesperançados.
Quando ouvíamos falar em globalização pensávamos no globo mesmo, na queda das fronteiras, na comunicação e no acesso ao conhecimento. Mas hoje já sabemos que o globo nunca foi tão plano e que a crise que afeta a bolsa de lá, reflete no bolso de cá, que a tequila bebida pelos Mexicanos dão ressaca no mundo todo.
Éramos ilhas, sentimos necessidade de nos unir. Encontramos outras ilhas e nos tornamos arquipélogos. Querendo dissiminar idéias e compartilhar ideais descobrimos istmos que nos levaram além. Estamos despertando, assimilando o rastro de nossa força de destruição em busca da evolução.
Mas assim somos, assim nos tornamos e com diplomas ou sem diplomas o jornalista que existe dentro de cada um, que nasce com a gente, quando nos pedem para contar o que aconteceu na escola, o que nos disseram no trabalho, o roteiro de um filme, a descrição de um local, o roteiro de uma viagem.
Desde sempre relatamos o que vemos, o que vivemos, o que sentimos... somos contadores de história e se há liberdade - liberdade esta tão desejada e almejada - que sejamos livres para entendermos que há lugar para todos e como sempre, desde que mundo é mundo, quem irá se manter é quem tiver competência, insistência e resistência.
Acho que é isso... hj é isso, vai lá saber amanhã."
Alessandra Yoshida, jornalista formada pela FIAM em 1997, é, faz tempo, hoje tentando ser uma blogueira, mas muito mais consciente do porquê de ter se tornado empresária e change management, o jornalismo é dedicação à escrita e a minha cabeça não esperava a próxima edição.
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