quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Encontros e Reencontros

{ adaptação de um poema que fiz para um sarau }

Quando tudo parecia calmo.
Quando o corpo já havia se acostumado.
E quando a consciência repousava inerte.
A vida me chamou e eu fui.

E nesse momento
Mais do que resistência
Percebi que a vida me pedia
Me pedia paciência.

Paciência comigo.
Paciência com o outro.
Paciência para que tudo
Fizesse sentido.

Algumas pessoas fogem do outro.
Outros tantos se escondem de medo.
Mas eu não, busquei e encontrei.
Me achei e fui encontrada.

E nesse compasso.
Nesse caminho.
Tentando entender.
Com muito carinho.

Eu vou, você vem.
Eu dou, você também.
Eu falo, você escuta.
Eu mostro, você enxerga.

Tudo aquilo que tantos procuram.
Aqui, neste momento, tem a granel.
Diversidade, disparidade, duas idades.
Tanto pedi que recebi.

Por tudo agradeço.
Assustei-me, mas já compreendi.
Acolhi e integrei, até sublimei.
Já relaxei e acolhi.

Pedir e receber são também uma escolha.
Mudar de opinião no meio do caminho uma opção.
Errar na escolha e continuar aceitando um meio.
Certo ou errado, uma intrigante questão.

Seu corpo mostra o que você sente.
Meus olhos vêem o que eu percebo.
Sua boca fala o que você pensa.
Meus ouvidos ouvem o que eu conheço.

Nessa abertura e exposição.
Segredos contados, medos externados.
Confiança, crença e doação.
Acolhida e respeito sempre à mão.

Sua diferença me completa o ser.
E eu desconfiada já quase não acreditava,
que o ser humano ainda podia ser assim.
Abismada, meio que atordoada me punha a pensar.

Esse encontro parece reencontro.
Com o que eu perdi pelo meu caminhar.
Fui e voltei, me revistei.
E olhando o outro eu me encontrei.

Hoje, bom, hoje eu posso dizer com certeza.
Você era parte, não era inteireza.
Novas palavras, nova dinâmica.
Ressignifica...

E nessa ciranda, nessa dançinha.
Balanço-me e sorrio.
Igual criancinha.
Todos me embalam e me aninham.

Aqui é perfeito?
Não, tem defeito.
E o mais interessante é que nessa troca.
Por mais que me doa eu saio ganhando.

Eu tava tranquila.
Eu tava de boa.
Mas se ouvi o chamado.
Algo faltava.

Faltava em mim.
Um pouco de tudo.
Um pouco do novo.
Um pouco do muito.

O novo olhar.
Do grupo infinito.
Daquele que dá.
Daquele que fica.

E hoje, ah, hoje eu percebo.
Que sem um eu sou menos.
Menos alegre, menos querida.
Menos inspirada, menos amiga.

Tanto trabalho para crescer.
E de repente eu me vejo mudando de ideia.
Achando que o outro tem mais a ver.
Quando ele fala e me faz refletir.

Nessa reconstrução vou me compondo.
Com o amor que é a semente.
Atenção vai regando.
Gerando respeito dentro da gente.

Em cada encontro um reencontro.
Deixo um pouco e levo outro tanto.
Choro, escuto, sorrio e amo.
Integro em mim o que me dão.

Tem gente que chega.
Um pouco mais perto.
Que eu sinto e percebo.
O canal aberto.

São partes do todo que está em mim.
Desse meu mundo.
Tem um monte de gente que já passou.
Eles agora estão em você.

Assim como você está em mim.
Por onde eu for você estará.
Prá sempre comigo...
Em corpo, alma, pensamento e oração.

Esse é o meu Universo
E eu sou dele também.
Nem rima, nem prosa,
Nem verso, nem sei.

Um pouco de mim segue contigo.
Cuida disso que eu te dei.
Levo comigo você e seu mundo.

Aqui dentro eu te guardarei.

Nenhum comentário:

Postar um comentário