{ adaptação de um poema que fiz para um sarau }
Quando tudo
parecia calmo.
Quando o corpo
já havia se acostumado.
E quando a
consciência repousava inerte.
A vida me chamou
e eu fui.
E nesse momento
Mais do que
resistência
Percebi que a
vida me pedia
Me pedia paciência.
Paciência
comigo.
Paciência com o
outro.
Paciência para
que tudo
Fizesse
sentido.
Algumas pessoas
fogem do outro.
Outros tantos
se escondem de medo.
Mas eu não,
busquei e encontrei.
Me achei e fui
encontrada.
E nesse
compasso.
Nesse caminho.
Tentando entender.
Com muito
carinho.
Eu vou, você
vem.
Eu dou, você
também.
Eu falo, você
escuta.
Eu mostro, você
enxerga.
Tudo aquilo que
tantos procuram.
Aqui, neste momento,
tem a granel.
Diversidade,
disparidade, duas idades.
Tanto pedi que
recebi.
Por tudo agradeço.
Assustei-me,
mas já compreendi.
Acolhi e
integrei, até sublimei.
Já relaxei e
acolhi.
Pedir e receber
são também uma escolha.
Mudar de
opinião no meio do caminho uma opção.
Errar na
escolha e continuar aceitando um meio.
Certo ou
errado, uma intrigante questão.
Seu corpo
mostra o que você sente.
Meus olhos vêem
o que eu percebo.
Sua boca fala o
que você pensa.
Meus ouvidos
ouvem o que eu conheço.
Nessa abertura
e exposição.
Segredos
contados, medos externados.
Confiança,
crença e doação.
Acolhida e
respeito sempre à mão.
Sua diferença
me completa o ser.
E eu
desconfiada já quase não acreditava,
que o ser
humano ainda podia ser assim.
Abismada, meio
que atordoada me punha a pensar.
Esse encontro
parece reencontro.
Com o que eu
perdi pelo meu caminhar.
Fui e voltei,
me revistei.
E olhando o
outro eu me encontrei.
Hoje, bom, hoje
eu posso dizer com certeza.
Você era parte,
não era inteireza.
Novas palavras,
nova dinâmica.
Ressignifica...
E nessa
ciranda, nessa dançinha.
Balanço-me e
sorrio.
Igual criancinha.
Todos me
embalam e me aninham.
Aqui é
perfeito?
Não, tem
defeito.
E o mais
interessante é que nessa troca.
Por mais que me
doa eu saio ganhando.
Eu tava tranquila.
Eu tava de boa.
Mas se ouvi o chamado.
Algo faltava.
Faltava em mim.
Um pouco de
tudo.
Um pouco do
novo.
Um pouco do
muito.
O novo olhar.
Do grupo
infinito.
Daquele que dá.
Daquele que
fica.
E hoje, ah,
hoje eu percebo.
Que sem um eu
sou menos.
Menos alegre,
menos querida.
Menos
inspirada, menos amiga.
Tanto trabalho
para crescer.
E de repente eu
me vejo mudando de ideia.
Achando que o
outro tem mais a ver.
Quando ele fala
e me faz refletir.
Nessa
reconstrução vou me compondo.
Com o amor que
é a semente.
Atenção vai
regando.
Gerando
respeito dentro da gente.
Em cada
encontro um reencontro.
Deixo um pouco
e levo outro tanto.
Choro, escuto,
sorrio e amo.
Integro em mim
o que me dão.
Tem gente que
chega.
Um pouco mais
perto.
Que eu sinto e
percebo.
O canal aberto.
São partes do
todo que está em mim.
Desse meu
mundo.
Tem um monte de
gente que já passou.
Eles agora
estão em você.
Assim como você
está em mim.
Por onde eu for
você estará.
Prá sempre
comigo...
Em corpo, alma,
pensamento e oração.
Esse é o meu
Universo
E eu sou dele
também.
Nem rima, nem
prosa,
Nem verso, nem
sei.
Um pouco de mim
segue contigo.
Cuida disso que
eu te dei.
Levo comigo
você e seu mundo.
Aqui dentro eu
te guardarei.

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