quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Louca sanidade


Loucura, sanidade?
Louca sanidade.
Sadia doidera.
Doida normalidade.

A música que toca.
O corpo que dança.
Eu e você.
Um só  movimento.

Idéias malucas, soltas ao vento.
Que outros tão loucos ouvem e embarcam.
Aceitam e festejam e
Juntos se entregam

E você tão contente,
No aqui tão presente.
Me sente e me quer.
Afaga a mão, me faz tão mulher.

E eu percebendo, não estava vendo.
Apenas sentindo
Me permitindo
Tocada sentia e pressentia.

Algo de novo na porta batia.
E eu com coragem atenta ouvia
Senti e beijei e me deixei
Ser conduzida para além

Além de mim mesma
Dos medos e anseios
Curtindo o momento
Sem ao menos pensar

Loucura doidera
Entrega e desejo
Dois corpos em um
Sem pressa prá acabar

Um vida ou meia
Intensa e profunda
E agora eu já não
Vivo sem você!!!

Tanto li, um pouco vivi
Passei pela vida meio assim
Amores tão poucos
Que eu senti

Um dia do nada
Meio sem saber
Chega alguém
Me faz perceber

Que a vida é mais
Que ela desfaz
E se refaz
Que a vida me traz

Quem eu esperava
Também desejava
Já deslumbrava
Me surpreendi

Não sei se a leveza
Ou a inteligência
O toque de humor
Ou a paciência

O jeito de ouvir
De interagir
De refletir
De coexistir
  
Há tempos pensava
Que não encontraria
E quase, por pouco
Eu desistiria

O toque das mãos
Aquele roçar
Que do sono profundo
Me fez despertar

Para o novo
O inusitado
Aquele pedaço
Que eu me esqueci

Da mulher interessante
Uma delícia
Que vibra e pulsa
Com muita malícia

Eu não sei rimar
Não sei escrever
Poesias e versos
De mim e você

Vou aqui tentando
Com muito receio
Colocar o que sinto
Embaixo, em cima, no meio

E o que eu sinto
Me perpassa a alma
Me deixa tão boba
Mas não me acalma

Fui descobrindo
Que esse olhar
Do novo e do belo 
A me enredar

Podia ser mais
E muito mais
Uma grande viagem
Que me satisfaz

Eu me pergunto
O que faço agora?
Com tudo novo
Eu quero viver

Já fiz minhas escolhas
Que a vida me trouxe
Tem um caminho
Vou compreender

De gole em gole
Bebi os seus beijos
Criei o desejo
E o meu amor

Hoje eu tento
Me recompor
Viver novamente
Sem esse sabor

O coração bate
E tanto apanhou
Quer um descanso
Com o qual sonhou

Eu poderia
Continuar escrevendo
Do que sinto e vejo
Do que só percebo

Mas toda história
Merece um fim
E essa é bonita
Prá vc e prá mim

Que me trouxe pra fora
Para respirar
Me trouxe à tona
Pra eu enxergar

Que posso e mereço
Recomeçar
E ele pode
Comigo sonhar

O sentimento
Não é só de pele
Tem coerência
E muita beleza

Torna difícil
Fica na areia
Ou sempre nadando
Contra a correnteza

Muito vivi
E pouco eu sei
Mas o que sinto
Não posso negar

As história terminam
Mas valem a pena
Histórias são feitas
Para se relembrar

Encontros e Reencontros

{ adaptação de um poema que fiz para um sarau }

Quando tudo parecia calmo.
Quando o corpo já havia se acostumado.
E quando a consciência repousava inerte.
A vida me chamou e eu fui.

E nesse momento
Mais do que resistência
Percebi que a vida me pedia
Me pedia paciência.

Paciência comigo.
Paciência com o outro.
Paciência para que tudo
Fizesse sentido.

Algumas pessoas fogem do outro.
Outros tantos se escondem de medo.
Mas eu não, busquei e encontrei.
Me achei e fui encontrada.

E nesse compasso.
Nesse caminho.
Tentando entender.
Com muito carinho.

Eu vou, você vem.
Eu dou, você também.
Eu falo, você escuta.
Eu mostro, você enxerga.

Tudo aquilo que tantos procuram.
Aqui, neste momento, tem a granel.
Diversidade, disparidade, duas idades.
Tanto pedi que recebi.

Por tudo agradeço.
Assustei-me, mas já compreendi.
Acolhi e integrei, até sublimei.
Já relaxei e acolhi.

Pedir e receber são também uma escolha.
Mudar de opinião no meio do caminho uma opção.
Errar na escolha e continuar aceitando um meio.
Certo ou errado, uma intrigante questão.

Seu corpo mostra o que você sente.
Meus olhos vêem o que eu percebo.
Sua boca fala o que você pensa.
Meus ouvidos ouvem o que eu conheço.

Nessa abertura e exposição.
Segredos contados, medos externados.
Confiança, crença e doação.
Acolhida e respeito sempre à mão.

Sua diferença me completa o ser.
E eu desconfiada já quase não acreditava,
que o ser humano ainda podia ser assim.
Abismada, meio que atordoada me punha a pensar.

Esse encontro parece reencontro.
Com o que eu perdi pelo meu caminhar.
Fui e voltei, me revistei.
E olhando o outro eu me encontrei.

Hoje, bom, hoje eu posso dizer com certeza.
Você era parte, não era inteireza.
Novas palavras, nova dinâmica.
Ressignifica...

E nessa ciranda, nessa dançinha.
Balanço-me e sorrio.
Igual criancinha.
Todos me embalam e me aninham.

Aqui é perfeito?
Não, tem defeito.
E o mais interessante é que nessa troca.
Por mais que me doa eu saio ganhando.

Eu tava tranquila.
Eu tava de boa.
Mas se ouvi o chamado.
Algo faltava.

Faltava em mim.
Um pouco de tudo.
Um pouco do novo.
Um pouco do muito.

O novo olhar.
Do grupo infinito.
Daquele que dá.
Daquele que fica.

E hoje, ah, hoje eu percebo.
Que sem um eu sou menos.
Menos alegre, menos querida.
Menos inspirada, menos amiga.

Tanto trabalho para crescer.
E de repente eu me vejo mudando de ideia.
Achando que o outro tem mais a ver.
Quando ele fala e me faz refletir.

Nessa reconstrução vou me compondo.
Com o amor que é a semente.
Atenção vai regando.
Gerando respeito dentro da gente.

Em cada encontro um reencontro.
Deixo um pouco e levo outro tanto.
Choro, escuto, sorrio e amo.
Integro em mim o que me dão.

Tem gente que chega.
Um pouco mais perto.
Que eu sinto e percebo.
O canal aberto.

São partes do todo que está em mim.
Desse meu mundo.
Tem um monte de gente que já passou.
Eles agora estão em você.

Assim como você está em mim.
Por onde eu for você estará.
Prá sempre comigo...
Em corpo, alma, pensamento e oração.

Esse é o meu Universo
E eu sou dele também.
Nem rima, nem prosa,
Nem verso, nem sei.

Um pouco de mim segue contigo.
Cuida disso que eu te dei.
Levo comigo você e seu mundo.

Aqui dentro eu te guardarei.