Domingo... dia
da preguiça... aquela gostosa que nos inunda o corpo e nos toma a alma.
Acordar e
pensar o que fazer com um dia inteiro de ócio... que tal uma azeitona?
Sim, passear
pelo Bosque El Olivar, em Lima - Peru pode ser uma boa pedida, algo simplesmente mágico.
O vento frio
batendo no rosto ao mesmo tempo em que o calor sobe pelas pernas... sentar num
banco e ficar apenas contemplando o verde... todos os tons... todas as nuances
de um bosque, no meio de uma cidade, distante de casa, mas nunca tão próxima de mim mesma.
Caminhar sem
cansar, caminhar sem pensar e aproveitar o momento, estando inteira e
completa.
O dia estava
perfeito, mas como felicidade é sempre uma soma e tudo sempre pode melhorar que
tal almoçar com vista para o mar?
Sim, o Oceano
Pacífico estava lá a minha frente, não dava para negar que a visão era estupenda
e que tornava o momento mais mágico e mais perfeito.
A presença da
criação e do criador era inegável, a sensação de plenitude e de pertencimento
ao todo, de comunhão e de diversidade dentro da mesma célula viva... e o que
era bom, só melhorou.
Havia um parque
no meio do caminho, no meio do caminho havia um parque!
E não era um
simples parque... era El Parque del Amor, e não há muitas construções dedicadas
aos amantes...
Como descrever um parque dedicado ao amor enquanto vemos o mundo se dedicando à competição, a tirar vantagem, à guerra e ao poder?
Simples...
amando!
Descrever o
parque é como descrever o próprio amor... cheio de cores e sensações, onde andando
sente-se o amor pulando dos mosaicos desenhados nos muros que cercam o ponto
central: uma linda e enorme estátua chamada El Beso, majestosa ao centro do
Parque, com dois amantes que se beijam...
Frases soltas
presas aos mosaicos em muros em forma de ondas, frases de amor e de desabafo, o
desabafo daqueles que amam em silêncio, a escrita dos que choram a perda do
rumo, palavras esculpidas com amor e desejo.
Um lindo jardim
convidava as pessoas a sentarem-se e relaxarem, pois sabiam que naquele lugar
sagrado pelo amor e abençoado pelo casal que ardentemente se beijava havia
segurança e acolhimento.
Nos muros que
ouvem as confissões dos amantes escritas em ladrilhos casais se encostavam para
o momento do beijo, para o contemplar do oceano e para o encontro dos corpos...
Meu corpo não
era diferente e encostada nesse muro ondulado eu esperava o sol, que também
inspirado pelo casal do Parque do Amor chegava para beijar o mar e se
despedir...
Imaginei-me mar pronta para ser beijada pelo sol.
O momento do
beijo de despedida é certo, mas nem por isso o sol deixa de brilhar e o mar
deixa de quebrar...
E como tudo que
é mágico traz em sua magia os elementos necessários para envolver e encantar,
uma vendedora de caramelo veio adoçar um pouco mais os meus sentidos... “irradiar
a felicidade... continuar feliz mesmo depois de casar... continuar feliz mesmo
depois de ter filhos...” palavras soltas ao vento, presas no coração como muros
de mosaicos, presas na emoção como caramelos nos dentes...
E o sol
baixando devagar como um quente amante que sabe o momento de chegar foi encostando
devagarzinho no mar e depois do beijo se foi deitar...
Mais que a
preguiça do despertar, o torpor do entardecer comprovou que a felicidade existe
sim e que pode morar num parque de oliveiras, pode morar numa estátua de barro,
pode morar nas frases ladrilhadas dos amantes, mas mora mesmo dentro de cada
um, dos olhos que vêem, dos ouvidos que escutam e do coração que sente.



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